A história do BDSM Brasileiro

 Outro dia me perguntaram, o BDSM mudou?  Ainda existe o BDSM praticado como antigamente?

Esse último ano depois de 10 anos fora da comunidade BDSM, resolvi voltar, levantar novamente o meu site e reencontrar velhos amigos e amigas, porêm fiquei impressionado com o número infinito de teoria, protocolos, regras, uma sopa infinita de letras, e muitas distorções no BDSM atual, chamado até de New BDSM.

 

Após um tempo de analises, cheguei a seguinte conclusão. 

 

 Antigamente o BDSM era vivido por um número bem pequeno de pessoas, que seguiam protocolos rígidos e  bem definidos,  hoje infelizmente apenas uma parte muito pequena dos praticantes atuais ainda segue o estilo do BDSM tradicional, logo nada mudou.

 O BDSM tradicional era muito marginalizado e atacado  pelo publico baunilha em geral, hoje esse mesmo BDSM continua marginalizado e atacado, só que o público baunilha foi substituído pelos praticantes do atual New BDSM, que considera esse BDSM tradicional abusivo e inaceitável.

 Felizmente diariamente surgem novos praticantes com esse espírito do BDSM tradicional, uma pequena e quase insignificante quantidade de BDSMs, como a 20 anos atrás, que não se encontram nesse New BDSM, e se juntam a velada e silenciosa comunidade do BDSM tradicional.

O BDSM NUNCA MUDOU, QUEM MUDOU FORAM SEUS PRATICANTES

MESTRE YoY

I Encontro BDSM no Cerrado

 

Fonte: https://ocurraldavaca.wordpress.com/

 

Esse relato é fruto do trabalho realizado quando da construção do I Encontro BDSM no Cerrado. Um esboço despretensioso da coleta de informações com aqueles que viveram o BDSM no Brasil. Estabelecemos como marco inicial o trabalho de Wilma Azevedo por ser o referencial escrito que tinhamos conhecimento. Vale salientar que temos conhecimento de que muito mais foi produzido e vivido, e quem desejar contribuir com acréscimos, lacunas ou erros possíveis seja muuuuuuuuito bem vindo!
Ficam os créditos a companheira rosa vermelha que suou muuuuuuito com esta vaca profana nessa construção! Saudade parceira!!!!

 

Os depoimentos abaixo não estão identificados, as entrevistas na íntegra vocês podem ler na encadernação que circulará pelo ENCONTRO BDSM NO CERRADO 2008 e posteriormente no site.

Comecei a ler um pouco de teoria, me interessar pela teoria até por volta dos finais dos anos 70 através de anúncios em revistas como era praxe na época e foi quando conhecemos Wilma Azevedo durante algum tempo ficamos tendo uma relação a três e isso durou até que ela e Wilma resolveram editar uma revista de SM em termos comerciais, coisa que na época de 70 em plena ditadura era impossível, deram com os burros n’água, o primeiro número que a revista (Fantasy) saiu, e deu polícia acabou dando inquérito e tentativa de chantagem, enfim invadiram o escritório dela que funcionava meio que como redação e acessaram os arquivos de assinantes, foi uma coisa complicada e em razão disso a própria relação dela com Wilma cessou O fato é que não havia grupo organizado naquela época tinha até um pequeno grupo onde eu conheci algumas pessoas: Cosam Atsidas que pegou muito nome e foi um dos pioneiros,

Não havia internet naquela época e não haviam grupos grandes organizados, havia esse pequeno grupo, e mais um ou outro e as pessoas tinham dificuldades de conhecer outras e de se reunir porque isso dependia de anúncios nas chamadas revistas masculinas, e a maioria dos anúncios não falava de SM e quando falava dizia que não era SM.

Passou-se um tempo até que eu anos depois vim a conhecer BARBARA REINE e por coincidência ela tinha conhecido as pessoas desse grupo: Cosam muito, foi inclusive iniciada por Cosam. Quando eu a conheci ela já era Domme e ela tinha um passado de conhecimento com Cosam e conhecimento de outras pessoas do grupo que ela frequentou depois da minha época e isso me abriram as portas do grupo dela em São Paulo – o SoMos – eu participei de um munch e eles tinham por regra que as pessoas só poderiam frequentar a play se fossem ao munch e tivessem conhecimentos primeiro. Nessa ocasião não havia um ambiente SM, havia um grupo grande em São Paulo que se reunia uma vez por mês numa boate chamada DJ, fechavam a boate e faziam uma festa durante a semana e isso apresentava alguns inconvenientesAté que um dia a BARBARA REINE e o Klaus resolveram montar um bar temático e fundaram o Valhala mas havia uma amizade muito grande entre todos nós e o Valhala seguiu o seu caminho por aproximadamente dois anos até que ele acabou sendo vendido Hoje nós temos o Clube Dominna,

 

O Valhala que era realmente um estabelecimento comercial e que passou a ser sede do grupo SoMos

Com o fechamento do Valhala a BARBARA se afasta do SM e a bela segue o seu caminho e conhece a Walkiria mas não tinham um bar e nem nada, mas a Walkiria tinha uma casa grande onde ela tinha um ateliê na parte de cima e como era muito grande uma parte era fechada e tinha um dungeon, então ela tinha um dungeon todo equipada e também fabricava roupas SM vendia roupas SM e elas ficaram e fizeram algumas plays e festas lá Então as duas resolvem abrir uma casa e abrem o Clube Dominna e funcionou muito bem até que depois de dois anos a Walkiria houve por bem se retirar e deu-se um tempo e a Bela reabriu o Clube Dominna sem a Walkiria e é sem dúvida uma referência em termos de SM.

Li Venus de Cetim e resolvi entrar em contato com as pessoas do livro, eu não sabia nada, nem como entrava em contato com as pessoas, então resolvi colocar um anúncio erótico isso foi em 1991, não tinha internet e nem nada disso. No 1º anúncio foi uma loucura o que vinha de cartas foram mais de 500 cartas, E uma das cartas me chamou a atenção porque era de um dos personagens que eu tinha visto nesse livro, que foi Cosam Atsidas.

Ele já tinha feito alguma coisa no Brasil como o cadastro nacional SM naquela época não tratávamos como BDSM e sim SM só, e Ele tinha várias tentativas de fazer grupos e o máximo que ele conseguiu fazer ir mais para frente foi o cadastro nacional onde ele cadastrava pessoas do Brasil todo e dava um jeito de um falar com o outro, por carta. Coisa que ele acabou desistindo um tempo depois porque pra ele era muito dispendioso, ele gastava o selo para a pessoa encontrar seu parceiro, então não tinha muita lógica.

Grupos ele tentou fazer alguns, mas não deram certo por “n” motivos, então Ele tinha um grupo restrito que era Ele, Wilma, Ulysses, Greco, Walkiria, esse grupo era fechado, que acabou por volta de 1981. Ele realmente escreveu todas as histórias dele num dossiê chamado “História do sadomasoquismo no Brasil”, não foi publicado e depois da morte dele algumas pessoas ficaram de posse desse documento.  com isso eu me senti meio que na obrigação, por Ele, aí resolvi ser um pouco mais teimosa e resolvi fazer realmente o grupo, para isso eu tive que divulgar que um grupo estava sendo realmente aberto. Aí nos reunimos aqui em São Paulo numa choperia que nem existe mais no Ibirapuera, e alguém ficou sabendo não sei como e mandaram um repórter da Folha de São Paulo. Nesse encontro foram cinco pessoas, chegou a sair uma nota pequena no dia seguinte que num bar de Moema houve uma reunião do pessoal SM.

 

Essa reunião foi chamada por carta e se reunia nessa época: Bárbara Reine, Cosam, Klaus, Mestre Vader e Mestre Lotar.

Em 09/12/92 resolvemos fundar o Nenhuma revista abriu espaço na época e eu me lembro que fui falar com a dona da Revista Fiesta e ela foi a única que abriu para que pudéssemos escrever artigos para situar os leitores que tivessem fantasias nesse sentido. Então comecei a escrever artigos mensais para a revista e logo depois ganhamos a página do meio para fazer uma espécie de uma ficha que a pessoa que estivesse interessada no grupo preencheria e avaliaríamos se valeria a pena chamar aquela pessoa para uma reunião. Foram chegando fichas pelo correio e fomos analisando e havia perguntas nessa ficha que seriam determinantes para que identificássemos se a pessoa sabia o que estava falando ou não. E se a pessoa não conhecia nada, pelo tipo de pergunta ela tinha que responder que não sabia mesmo, até para avaliarmos o nível de pessoa que seria chamada.

E, 1992/3 eu recebi um email de uma pessoa que era a dirigente do grupo de Atlanta e ela disse que estaria no Brasil em tal período e que gostaria de participar de uma reunião e ela foi num munch que era feito no Zillerthal no largo de Moema e ficou encantada. Até porque foi um munch com muita gente, nesse em particular foram umas 200 pessoas. Já havia mais de um ano que eu fazia os munchs. Eles fizeram um link, colocando o grupo SoMos como irmão e eu Tb tive no site do SoMos um link para o grupo deles.

A Wilma chega a ir na 1ª reunião que eu fiz do SoMos , eu já tinha escrito algumas coisas a ela sobre os livros, o Ulysses (1999) me escreveu, me encontrou no site e eu fazia alguma referência do Cosam. Ele veio para o munch em São Paulo era freqüentador do Valhala.

Uma das maiores experiência que eu tive na minha vida foi absolutamente fora de consenso, a 1ª play que eu organizei eu era a única mulher e única escrava, o resto eram todos Mestres. Eram cinco Mestres, eu pedi ao meu Dono: por favor, eu não quero ficar nua, e que não queria ser usada por ninguém, quem sou eu para “querer” (coisa de escrava), o que Ele fez? Deixou-me nua para todos os Mestres e depois disso disse: façam com ela o que quiserem. Eu acho que elas só perdem com esse tipo de postura.

Eu já fiz 57 plays e nunca consegui o ideal de SM que é…

 

Antes eu não tenho dúvida de que minha participação foi importante por ter dado início a tudo isso, as salas da UOL de sadomasoquismo, por exemplo só existiram por causa da tal reportagem que saiu da Daniela, depois dessa reportagem eles criaram as salas de sadomasoquismo. Eu comecei na sala de fetishe do Terra e ali era tudo muito misturado, meio de vício de muitos anos. Então fui para o UOL e abria uma sala em assinantes de adeptos de SM, sala de debates. (1998). O SoMos dormiu de 1993 a 1998. Tudo o que eu tinha de material eu joguei fora.

Em 1998 o SoMos ganhou um site que eu mesma foz em front Page e depois eu ganhei um site bonito bem dividido e organizado, tinha um formulário para preencher. Já tinha outra turma e um número de pessoas bem interessante. Um dia coloquei no site que eu queria fazer uma play party e meia hora depois eu entrei na sala e já tinham pessoas perguntando onde seria. Na época eu tinha um conhecido que tinha uma casa de swing e me permitiu fazer lá e fiz a 1ª pisando em ovos, tiveram algumas cenas um pouco tímidas, mas rolou uma play party, e cada vez foram melhores até que o dono do lugar nos deixou fixar nas paredes algumas argolas para alguns jogos e depois resolvi fazer uma festa aberta para quem quisesse simplesmente ver, para que o pessoal tirasse a impressão de que é uma festa com pancadaria; então eles viram uma coisa com sua lógica com seu motivo de ser e acho que tiraram um pouco da impressão que tinham em cima de uma festa SM. De outro lado, a gente só conseguia essa casa em dias que ela estivesse fechada, então as plays eram de 2ª feira.  Havia a necessidade de a gente fazer o work shop, que quando era mais teórico dava para fazer no Zillerthal sem problemas, porque a gente só falava, mas e um work de spanking? Não tinha jeito, surgiu à idéia de alugar um teatro. Fizemos um work de saúde (convidamos uma médica), um de eletro no Zillerthal, onde só podíamos falar da teoria. O grupo tomava um vulto de necessitar de uma sede, então surgia à idéia que se fazíamos num bar, porque então não termos um bar? Na época teve um amigo que comprou a idéia e investiu no bar, naquela idéia, se der certo tudo bem, senão não esquenta a cabeça, para não abrir com a expectativa de ter que dar certo, eu vendi o Valhala em razão da decepção com a comunidade que não apóiam e fora isso teve problemas para resolver da sociedade que eu fiz.

Eu resolvi agora refundar o SoMos e cheguei a fazer 33 munchs no Zillerthal e numerava todos, agora faço o 1º de 2007 até porque já me perdi na contagem e não teria mais lógica nessa contagem. Hoje eu não tenho pretensão de fazer nada novo, mas ainda tenho uma festa que eu sempre tive na cabeça e nunca fiz e isso ainda quero fazer, não sei quando, mas ainda vou fazer, é um final de semana SM que seria num sítio. As subs cozinham, servem, bem nos moldes do 120 dias de Sodoma.

Em termos de Brasil, comecei a ter conhecimento a partir da revista Playboy(2000, se não me engano) qd publicaram um artigo sobre o fetiche onde constava o grupo “NoSomos”  e o respectivo site. Como moro no Japão desde 1989, para mim é difícil o contato pessoal com as pessoas do meio no Brasil. E mesmo assim tive a oportunidade de conhecer o Clube Dominna(2005) e conhecer, assim, várias pessoas sérias e manter amizade.

A parte prática com os conhecimentos que eu havia absorvido em meus estudos do SM, veio a acontecer em meados de 1987 ao conhecer um rapaz através do anúncio que ele publicou em uma revista masculina. em 1998 fundei o Dominna Fetish House. As noites FemDom lá deixaram saudades nos participantes. Eram festas sempre privadas para dommes convidadas e seus slaves, pois no DFH era a supremacia feminina que sempre prevalecia.

Depois ao conhecer melhor o assunto, notei que o SM havia amadurecido no Brasil e pude conhecer pessoas muito competentes e sérias em minhas festas no Dominna

Fetish House e posteriormente nas festas que promoví em um espaço na R. da Consolação. Isso se deveu ao fato de que o espaço no DFH já havia se tornado insuficiente para nossos encontros e resolví abrir o DFH para toda a comunidade SM. Hoje, vejo uma nova comunidade se formando pois muita gente jovem está se aproximando do meio preservar a memória do meio, seja com um museu, um memorial ou seja através de ensinamentos.

 

Voltarei à minha história e ás festas SM abertas que realizava na R. da consolação. Numa delas, conhecí Bela, uma mulher atuante e engajada no meio BDSM que trazia consigo uma bagagem de experiência fundamental. Nasceu entre nós uma amizade e cumplicidade positiva, vindo Bela a tornar-se minha primeira escrava(até então eu só tinha escravos homens).Esse relacionamento Domme/slave veio a frutificar no Clube Dominna, fundado por nós em 2003.    Nesse período o movimento recebeu um impulso notável de crescimento e popularização, tendo sido reconhecido e aplaudido até no exterior. Fomos os maiores incentivadores e realizamos o primeiro evento BDSM 24/7, tendo trazido essa data comemorativa ao Brasil.  Depois de minha saída do Clube, Bela tomou as rédeas e juntamente com sua atual dona, Loba Domme, comandam brilhantemente o Clube Dominna até os dias de hoje

Acho que existe uma parte da historia do bdsm no Brasil que é muito pouco conhecida e tão inovadora quanto a parte mais conhecida, a que se passou no Rio e São Paulo. É a que se passou aqui no Rio Grande do Sul, e que fiquei conhecendo através dos gaúchos que já vivenciavam suas fantasias quando eu nem sonhava – ou melhor – só sonhava  com essa possibilidade. O grupo tinha até revista publicada e era o ano de 1994, a internet não existia e isso magnífica a importância dessa manifestação da cultura bdsm gaucha e brasileira .

Era a S & M News  publicação bimestral  , editada por Fernanda M.P  e Paulo A.V . Era uma revista de dominação feminina e havia contos, artigos (por ex. Mulheres Vitorianas ) , avisos, noticias,  reportagens, fotos, SM no mundo ,  seção sobre livros, filmes,  produtos,  anúncios pessoais e profissionais. Conheci Fernanda e Paulo, casal fantástico, os dois professores universitários e acho essa parte da historia importante por vários motivos inclusive porque ficou  o registro de um núcleo de atividade SM dentro do Brasil  bem anterior ao que se imagina num primeiro momento.

Criamos e mantemos ate hoje o site Desejo Secreto , a Editora  Cia do Desejo e o site do mesmo nome com a publicação estupenda do livro do Helio, o Sem Mistério .

O painandpleasure já em 1994 foi o embrião da Lista e Site Desejos Secretos, que no meu entender foi o primeiro grupo a discutir e propor estudo do BDSM na internet, isso sem falar nos chats Zaz/Terra – Sala Fetiche e UOL – Escravas & Submissas, conheci também o SoMos, mas esse não tinha uma característica de discussão em internet e sim nos seus encontros (Munchs), com o tempo os grupos Desejos e Pain, também organizaram seus encontros reais o que propiciou uma gama enorme de informações e vivências reais do que era realmente o BDSM, sem falar nos encontros da Bia Fofa 40 (Podolatria).

Um conto da Wilma Azevedo na antiga revista Status, em plena ditadura, se chama “Submissão”, é um dos poucos em que a Wilma faz papel de submissa.   Depois, Glauco Mattoso, com a polêmica do lançamento do “Manual do podólatra amador” em sua primeira edição, mas o êxtase visual foram as obras de Georges Pichard.

No Grupo SoMos havia trocas de informação e formação de conhecimento, definições de nomenclaturas… a play da reporter, o munch de nomenclatura, o primeiro workshop que tratou sobre formas de prazer… o primeiro de bondage… resolvemos esclarecer e nivelar informações sobre liturgia e principais termos utilizados no SM…

Dominador: Todo praticante que adota a posição de condução de uma escrava

Mestre: Todo dominador que possui uma escrava.

Na época, fizemos apostilas traduzidas de vários livros e sites entre eles o different Loving… e após o debate, as convenções e definições foram registradas e ficaram, com barbara ou com klaus, não me lembro. Um livro… o Different Loving, era nesta época considerado a bíblia do SM.

Valhala era o sonho da Barbara, que se materializava… o Dominna veio a seguir como extensão do Sonho, agora comprado (não o bar… mas o sonho, a guerra pela efetivação e sobrevivência de um BDSM compartilhado)

Barbara era a “mestre de cerimonia” e condutora das plays… falar mais que isso seria romper o voto de silêncio a respeito das plays

Isso na década de 90, final de 90,meu primeiro munch foi em 13 março de 1999, minha primeira play foi em 22 de março de 1999.

As Plays do SoMos eram feitas em uma casa de swing, em Moema.

Conheci o Clube O, mas só fui lá uma única vez. Era uma casa bem equipada, com shows todas as noites (segundo diziam), Lembro que uma das coisas que mais me impressionou foi que, um dos cômodos, era um banheiro adaptado com uma cama ginecológica.

 

Também tive a sorte de ser encontrado pelo SoMos quando eu os procurava pela internet. Durante uma palestra minha sobre o nascimento do conceito de sadomasoquismo, Anjo Negro, um dos integrantes do grupo, estava presente na platéia. Logo em seguida fui convidado para fazer a mesma apresentação em uma reunião do SoMos.

Antes, tive um encontro com Mistress Bárbara Reine e outros componentes do grupo para nos conhecermos melhor e saber se eu não iria só falar besteira. Fui aceito, fiz a apresentação mais algumas vezes

Depois de 85 comecei a escrever contas para Fiesta (Revista Masculina), para Ele & Ela, Private, Brazil. WWW.privateonline.com.br  WWW.brazilmagazine.com.br

Fóruns tinham contos e anúncios com e sem foto.

Na inauguração do Vahalla (década de 90) observava a tudo como se tivesse invadido um panteão pela minha formação militar.

A figura de Klaus era como a de um Mestre de Cerimônias, pois sabia ser super gentil educado e carinhoso sem perder o tom de respeito, pois Ele que conduzia a cerimônia, era um litúrgico.

Frase: “Não somos imorais, nós somos devassos.” (KLAUS)

A pessoa que me leva ao Vahalla eu conheci pela internet “MIRC” e “ICQ” procura por sub, Mestre Dom.

Plays tinham regras determinadas pelo Klaus e uma das principais era que o que acontece ali dentro, morre lá dentro, com o intuito de preservar as pessoas que ali se encontravam, a safe era extremamente respeitada. O que se fazia numa play eram apresentação de técnicas pessoais.

Número de pessoas limitado em torno de 10 pessoas porque o “dungeon” era pequeno.

Bar das artes – onde haviam reuniões em área restrita. Confraria.

O 1º Clube de Poney Brasil numa chácara no interior de Sampa. Confraria extremamente rigorosa. Havia acomodações para um número limitado Senhores e baia para suas éguas. Exclusivo nesse sentido. (LV). Convite e indicação, mas tinha um custo alto o que a restringia a participação, de outro lado reunia pessoas de vários Estados.

Dominna com a Walkiria e a Bela – continua o clima da família do BDSM.

Dominna II começa a abrir o espaço para outras tribos, e o III continua.

Tive esses primeiros contatos reais através de um grupo que conhecí em São Paulo em 1987 quando lá estava realizando um curso de especialização. Somente sei que Dominação e submissão é algo que vem com a humanidade, mas como uma prática erótica sei das tentativas de publicação de revistas com o tema em Porto Alegre na década de 60, do bar Valhala com a Magnânima Sra. Barbara Rhein do grupo Somos, mas aí a internet foi uma peça chave para a propagação; quando conheci o grupo Dark Site comandado pela Majestosa Rainha Mortícia, e que apresentou um grupo coeso em busca da disseminação da informação junto a seus membros e simultaneamente o Grupo do BDSM SUL liderados pelo Mestre J J Flash e a sua sub Loira 3.3 tornaram o BDSM gaucho referência nacional em Encontros Abertos e Plays de Alto nível técnico onde os submissos rodavam no fogo de chão. Também não podemos esquecer da Tentadora Rainha Frágil, com a qual tivemos a honra de participar de um Encontro Swing em Fortaleza.

Conheci o BDSM através da sala escravas & submissas e Adeptos BDSM (SoMos), da área de assinantes do Uol, há 10 anos

Foi nos idos de 1997,ao acessar as antigas salas do Terra(ZAZ), que me vi envolvida pelo meio SM (naquela época era só isso). Comecei a freqüentar os encontros no Bar Vilarinho,no centro do Rio. O pessoal do UOL freqüentava bares de Copacabana.

Os encontros do Vilarinho acabaram e me juntei ao grupo UOL que veio a formar o atual BDSM-Rio liderado pela “gordinha_rj”.

Paralelamente, entrei em contato com o Grupo SOMOS, de São Paulo que,na época,era coordenado por Bárbara Reine e Klaus.  Tentou-se a criação de um núcleo do SOMOS, no Rio, mas a idéia que não vingou.

O SOMOS se organizava sobre três pilares: os “munches” (encontros sociais para que as pessoas se conhecessem), os “worshops” (encontros  para o aprendizado de SM) e as “play parties” (eram as festas fechadas de adeptos do SM ). Algumas  ”play parties” foram organizadas,no Rio, participei do filme “ALGOLAGNIA” como produtora adjunta e personagem.

Eram apenas encontros sociais. Àquela época,estávamos todos meio que tateando e começando a conhecer pessoas com os nossos similares “gostos esquisitos”…rsrs

me lembrei de seqüentes encontros(tb sociais) no Restaurante do Papai.

 

Sei que a primeira tentativa de organização da comunidade BDSM no Brasil surgiu das mãos do COSAM ATSIDAS, já falecido, um sub que foi fundamental para a comunidade brasileira, isto na época do VIDEOTEXTO, ainda.

Sei que as primeiras reuniões e primeiras manifestações públicas aconteceram nos anos de ferro da ditadura militar, que muitos foram investigados pelo governo militar e pelos órgãos de repressão, que muitos pioneiros sofreram tentativas de arapucas a fim de serem comprometidos com prostituição e pedofilia, que o advento das salas de chat foi muito importante para estabelecer comunicação de norte a sul e leste a oeste do país.

Entrei na comunidade BDSM só em 2003, depois de uma vida toda de BDSM em meus relacionamentos, do início difícil do Clube Dominna, sei que, eu e a Aglaia, e quando fomos perceber, já estávamos dando entrevistas para tvs brasileiras, tvs japonesas, saíndo em revistas e sendo reconhecidos na rua.

Sempre que possível participo, com a minha escrava, das atividades no Rio de Janeiro, especialmente os chopes promovidos pela amiga “gordinha-rj” no bar Ernesto e de algumas “play-parties” fechadas que organizamos aqui. Também freqüentamos a Festa Desejo, dos meus amigos Podo-RJ e Deusa Mazinha.

A descoberta (ou melhor, o entendimento do que eu sentia) foi na Internet, a partir de 1995, No CHAT do ZAZ, por volta de 1996, Desde 1997 tenho estabelecido contato com várias pessoas e, eventualmente, tenho troca de idéias com elas.

Creio ter criado o conceito do Contrato de Submissão / Escravidão, por volta de 1997/1998. Embora obviamente sem nenhum valor legal, ajuda a compor a fantasia do casal. Também divulguei anúncios,

Enquanto enxerguei, tive atuação influente na militância pela liberalização sexual e das minorias: fui co-fundador do grupo SOMOS, pioneiro do movimento gay organizado (não confundir com outro grupo chamado SOMOS, muito posterior, este exclusivamente SM), mas pouco consegui avançar a favor do sadomasoquismo (uma cultura que se baseia na desigualdade entre dominador e dominado) num meio que objetivava a igualdade de direitos e a troca de papéis ativo/passivo. Também em relação à podolatria tive dificuldades enquanto militei no movimento gay, pois trata-se duma preferência minoritária dentro duma minoria sexual, coisa que, felizmente, já não é vista como excentricidade nestes tempos de fetichismo exacerbado.

Na adolescência, junto ao amadurecimento sexual, ainda no final dos anos 70, notei que tinha muitas fantasias que poderiam ser consideradas exóticas por outras pessoas.

Após vir ao estado de São Paulo, em meados dos anos 80, conheci muitas pessoas como eu, sobretudo nas cidades do interior do estado. Meu auge foi nos anos 90, quando construí um ambiente particular para a prática. Na verdade, foram dois locais, um primeiro menor e que deu origem outro maior e mais elaborado.

Anos depois vi uma entrevista que um grupo deu num programa da Silvia Popovick (sei lá se é assim que se escreve o nome dela) e achei legal, vi que tinha código de ética (SSC), que não eram pessoas que sabiam o que queriam e que não tinham porque se sentirem culpadas por isso…

Lá eu sabia que aquela era a sala do pessoal do SoMos? Eu lá liguei BDSM com SM? Claro que não…. ET é ET!!!! Depois comecei a entrar também na antiga sala das escravas&submissas.

Os encontros tinham periodicidade bimestral com convites feitos sob indicação dos membros organizadores e acesso extremamente restrito Outro fato marcante no BDSM de “ontem” era o tempo de “estágio” era a própria construção das Plays Party.

Entre os homens existia uma graduação mais minuciosa iniciando como Senhor, depois Mestre e, enfim, Lord onde era obrigado a apresentar-se mediante uma banca examinadora de suas práticas SM bem como, no último grau, o treinamento de obediência de um de suas escravas com sua prática principal (chicote, correntes, cordas etc.)

Meu conhecimento teórico foi adquirido com o advento da internet,   no chat do extinto  ZAZ, no ano de 1998.

No final de 2004, encontrei-me na sala fetiches do Terra, com a prisioneira de luvas{MF} que me apresentou as listas BHSM (owner Aspen) e O Castelo (Owner Rainha Mel e Rainha Stefane) e aos encontros em BH, que nesta época eram freqüentados pela média de 10 pessoas. No ano de  2005, já havia estabelecido algumas amizades, montamos a lista BDSM MG, onde  eu era o moderador.Começamosa realizar encontros mensais no Bar do Sir Ractus.  Estes encontros foram crescendo e a Saí da lista BDSM-MG e fundei , juntamente com a leila a lista BDSM-Minas,  o qual permaneci como owner até 2007. Em outubro de  2006 decidimos fazer  o I Encontro Mineiro de BDSM.

Com o fechamento do Valhala e o vácuo que ficou nos encontros de SP, resolvi juntamente com Rainha Tar@ fazer alguns encontros que eram sempre um sucesso. Fizemos Domme Samira e eu alguns encontros no Antigo Bar Amsterdã. Até que conheci Rainha Walkiria Schneider e com ela fiz diversos encontros fantásticos no mesmo local. Foi quando surgiu a idéia de abrir o Clube Dominna.

 

Ouvia as histórias de barbara e Klaus sobre o quanto era dificil unir as pessoas. Tudo era feito por caixa postal, revistas pornográficas. mas a dedicação de Cosam era tanta que prá ele era tão divertido reunir 4 pessoas, como 100 (numero que ele jamais chegou a alcançar) Após 1 ano de abertura da Casa, 2 socios saíram..   E barbara e eu seguramos firmes o leme Até que um dia tivemos que ter a dificil decisao de fechá-lo

Da história em si, não conheço muito, mas ainda peguei a fase dos anúncios em revistas e contatos feitos por caixa postal…rs era muito complicado, mas os relacionamentos eram mais duradouros e levados a sério.

Mas o que posso destacar é a criação do Valhala, em São Paulo, em 2001, um espaço aberto para discussões, estreitamento de amizades e aprendizado sobre o BDSM.Éramos um grupo pequeno, mas todos de muito preparo e conhecimento, o que tornava o debate mais enriquecedor.

Falo de Wilma Azevedo, escritora e praticante do Sm. Tive o prazer de conhece-la pessoalmente e por várias vezes recebí sua visita no Clube Dominna. Wilma foi em seu tempo (anos 60), uma precursora e com muita coragem e resistência ao sistema e todas as frustrações de sua vida, viveu o sadomasoquismo ao lado de outras figuras não menos importantes. Seus livros trazem um pouco dessa experiência e entrega de vida ao Sm.

Decada de 80, revistas nacionais como Ele Ela e Club, sendo esta ultima a que exibia materias especificas sobre o assunto, com textos inclusive de Cosam Atsidas.

Revistas importadas como Pillow Talk e Variations, que eram revistas dedicadas a variações sexuas, com textos, contos, forum e esclarecimentos sobre o assunto. Não eram revistas pornograficas, e sim de informação e erotismo.

Entretanto no inicio da decada de 80 cheguei a me filiar atraves de endereço de caixa postal numa “Associação Brasielira de SM”, organizada por Cosam Atisidas, que chegou a ter uns 100 participantes, distribuiu alguns folhetos de intercambio por correio, e teve curtissima duração.

Em 1998 disponibilizei uma das primeiras listas de termos e teoria sobre BDSM.

Sabia que existiam pessoas com esse fetiche (vi uma vez uma reportagem com o Goulart de Andrade sobre sadomasoquismo num local do centro de São Paulo, mas era Dominação feminina e aquilo não me atraiu cheganmdo mesmo a abrir o primeiro bar Leather do país (“Dungeon Bar at SoGo”, em São Paulo). A resistência foi muito grande, culminando com uma invasão policial totalmente arbitrária e ilegal. Depois de tanto “dar murro em ponta de faca”, acabei por vender o estabelecimento (3 bares, um deles o Dungeon, 2 pistas de dança) e afastar-me do meio BDSM/Leather.

O que marcou foi quando fui a uma reuniao em uma chacara e receberam alguns mestres alemaes, espanhois e italianos, vi o uso de chicotes longos, espadas, facas, agulhas, cordas, servidao, humilhaçao.e a admiraçao das subs , por minha postura jeito de ser algumas vieram servir-me achei gostoso a servidao daquelas que eu não conhecia mas sim tiveram desejo de vir e servir-me, eu ali serio e recebendo a bebida e as comidas . Todos sabiam que eu tinha sido levado por uma switcher e que havia tido minhas praticas apenas com ela, e por me portar com dignidade recebi as seguintes palavras de um espanhol grisalho : “tens tudo para ser um master e eu já o vejo como um .daquele dia em diante essa amiga e switcher me chamava de master apenas.livros e videos me ajudaram bastante e a troca de ideias e informaçoes. Sou grato a elizabeth quem me apresentou o bdsm em1992

 

O SoMos ERA O REFERENCIAL DE SM, NÃO ME LEMBRO.  EU COMECEI NAS SALAS DE FETICHE DO TERRA, SÓ DEPOIS PASSEI PARA UOL

ISSO FOI LÁ POR 2000 OU 2001,  REVISTAS AMERICANAS,  TINHA UM PRIMO QUE MORAVA NOS EUA E MANDAVA ALGUMA COISA PARA MIM.  ELE SEMPRE SOUBE DO MEU LADO SM FOI DEPOIS DO VALHALLA. NA ÉPOCA DO VALHALLA, DIZER DEPOIS DA CONOTAÇÃO QUE FOI DEPOIS QUE O VALHALLA DEIXOU DE EXISTIR.

WILMA TAMBEM FOI E É UMA PESSOA IMPORTANTE NA HISTÓRIA DO SM BRASIL, ATRAVES DE MUNCH,  SARAIS, AS PLAYS ERAM DIFERENTES DO QUE MUITAS SÃO HJ.  ANTES TINHA UMA CONVERSA E PARA SE PARTICIPAR DE UMA PLAY VC TINHA QUE SER CONVIDADO.  NÃO ERA APENS FAZER A INSCRIÇÃO E PRONTO. SÓPARTICIPAVA PESSOAS PREPARADAS OS MUNCHS  TB ERAM BATE PAPOS MAS COM TEMAS DEFINIDOS,  COMO AINDA HJ SÃO FEITOS

NESSE SITE, VC PODERIA ENCONTRAR RELATOS, EXPERIENCIAS E FALAR ABERTAMENTE SOBRE O SM SEM SER JULGADO. SIM, NO VALHALLA MUITOS MUNCH ACONTECERAM E PLAYS TB .

DESEJO SECRETO EM 2001 PROMOVE ALGUNS ENCONTROS REGIONAIS.

1-) 03.03.01 EM SÃO PAULO NO RESTAURANTE ESTALAGEM NUM ESPAÇO RESERVADO COM 39 PESSOAS DE DIVERSOS GRUPOS SE REUNIRAM PARA CONVERSAR E TROCAR IDÉIAS SOBRE BDSM.

2-) 10.03.01 – EM PORTO ALEGRE CONTANDO COM 24 PESSOAS

3-) 24.03.01 – EM SÃO PAULO NO RESTAURANTE ESTALAGEM CONTANDO COM 37 PESSOAS

Muito pouco, se formos falar da era A.I – Antes da Internet. Li Wilma Azevedo e depois a revista Rudolf, que teve uns poucos números, todos dedicados ao SM. Conheci poucos praticantes de sm nessa época.

Um belo dia, li a reportagem que saiu na Playboy sobre o Valhalla. Fui até lá para conhecer, sem saber qual era o lado que mais Me chamava a atenção.

Sei que quando comecei lá em 1999, existia o Vahala. O Grupo Somos e, o Desejo Secreto.

Até um tempo atrás, tinha assumido o grupo do yahoo  BDSM MG, hoje sou participante e moderadora no orkut da comuna de mesmo nome, visto que o grupo do yahoo, entreguei a uma amiga e, ela a alguém que o perdeu.

Conheço o universo BDSM, desde setembro de 1999. Não sei se foi o início de tudo, mas foi o início de minha participação..

A sala da UOL surgiu então como uma grande mola propulsora, na época muito mais interessante do que hoje, pois reuniam-se apenas aqueles que estavam mesmo vivenciando ou iniciando na arte, com poucos aventureiros, praticamente um clã. Para entrar no grupo praticamente precisava ser apresentado por um outro integrante, Infelizmente, a grande maioria das pessoas daquela época sumiram no limbo do tempo.

Isso ocorreu no final dos anos 90. considerava que o SADOMASOQUISMO era uma coisa DISTANTE daquilo que eu fazia.

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HISTORIA FUTURA

Só quero acrescentar que, ainda em 2008, eu e o Glauco Mattoso vamos editar uma antologia SM da Literatura Brasileira, com textos de José de Alencar, Machado de Assis, Monteiro Lobato; os militantes Wilma Azevedo e Glauco Mattoso; e a safra nova da literatura brasileira formada por Horácio Costa, Frederico Barbosa, Contador Borges, Cláudio Daniel, Marcelo Mirisola, Marcelino Freire e Mário Bortolotto, que entre muitos mais compuseram contos e poemas especialmente para a antologia.